Transformar a cidade

UBS desenvolve projetos de saúde na região do Jardim Ângela

Por Bruna Ribeiro, da Rede Peteca

Na UBS (Unidade Básica de Saúde) Jardim Caiçara, região do Jardim Ângela, o atendimento à comunidade é um grande desafio. Mas o que nem todo mundo sabe é que o local também desempenha um trabalho muito importante com as famílias dos bairros.

Andréa Emi Sakata, 47 anos, trabalha no território há 16 anos. Ela chegou como enfermeira, passou a supervisora e agora é coordenadora, gerenciando todos profissionais da saúde. Eles são divididos em sete equipes de estratégia e saúde da família, composta cada uma delas por um médico, um enfermeiro, dois auxiliares de enfermagem e seis agentes comunitários de saúde.

“Os agentes de saúde fazem a ponte entre a unidade e a comunidade”, disse Andréa. Cada profissional atende até 200 famílias por mês. A divisão do atendimento é feita por micro-áreas e todos recebem pelo menos uma visita domiciliar mensal.

Durante a visita, o agente pergunta sobre a condição da família, verifica cartão de vacina de crianças e adolescentes e também realiza trabalhos de prevenção sobre doenças como dengue e tuberculose.

Já o médico e enfermeiro fazem consultas na UBS, mas há um horário para visita domiciliar no cronograma, de um período (manhã ou tarde) por semana. “A visita do médico e enfermeiro acontece de acordo com a necessidade da família. Na reunião de equipe, às vezes o agente traz a demanda de um paciente acamado, por exemplo, ou que fez alguma cirurgia e precisa de cuidados.”

Tudo é registado em um aparelho, denominado SMART, por meio do programa SIAB Fácil, implementado em 2014 – antes o registro era realizado no papel. Lá é possível verificar informações sobre os pacientes, consultas, vacinas e exames, além se há grávidas, hipertensos ou diabéticos na casa.

“Cada família tem um protocolo específico e nós estudamos qual é a necessidade de cada uma delas, além do importante trabalho de prevenção, como identificar se há água parada na residência.”

jardim angela ubs

Grupos educativos

Também como trabalho de prevenção, além das visitas familiares, a UBS organiza grupos educativos, como encontros para gestante, para planejamento familiar ou tabagismo. Além desses encontros, Andréa promove o projeto Vale Sonhar, voltado para adolescentes.

“Nós vamos até as escolas e falamos sobre sexualidade, saúde e futuro. Um dos objetivos das rodas de conversa é diminuir a gravidez na adolescência”, explicou a coordenadora. Em parceria com os profissionais da educação, Andréa considera o trabalho em conjunto de extrema importância.

Intersetorialidade

Além do vínculo com a Educação, Andréa também articula ações com a assistência social, realizando um programa de visita compartilhada. “Programamos a visita e procuramos trabalhar juntos.”

Por realizar muitas visitas e estreitar o vínculo com as famílias, o agente comunitário da saúde pode ser um forte aliado em outras áreas. Em alguns locais dominados pelo tráfico, são os únicos funcionários permitidos a entrar.

“Entendemos que nosso trabalho não aborda apenas a questão da saúde, mas também a parte social. Quando o paciente chega na unidade, olhamos toda a história por trás. Essa é a essência para um bom atendimento e assistência de saúde. Saúde e social estão totalmente ligados. Não tem como separar”, disse Andréa.

Para exemplificar, a coordenadora contou que há muitas famílias que moram ao lado de córregos no território. Muitas vezes as crianças andam descalças e se expõe a doenças. Além disso, muitas áreas são dominadas pela droga e violência, o que também impacta diretamente na saúde.

“Nosso trabalho é um trabalho de formiguinha e contínuo, mas temos visto evolução. Há quinze anos, as coisas não eram assim. Não tínhamos uma UBS próxima à comunidade. Todo dia é um dia para evoluirmos e precisamos de parcerias e articulações com outras áreas. A união faz a força.”