Aprender na cidade

Intersetorialidade e zelo pela cultura local fazem Marau (RS) uma Cidade Educadora

Eventos em Marau, cidade interiorana do Rio Grande do Sul, causam comoção coletiva. A prefeitura, comerciantes, escolas e entidades sociais se unem em ações de ocupação de espaço público. Um exemplo é o Cultural 24h, programação onde todo o município se mobiliza para ocupar o espaço  por meio da cultura local. 

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As práticas de intersetorialidade renderam ao município a entrada na lista internacional de Cidades Educadoras da Associação Internacional de Cidades Educadoras (AICE). 17ª cidade brasileira a integrar a lista, Marau compromete-se com a manutenção de políticas públicas que fortalecem a ideia da cidade como fundamental na formação integral dos sujeitos. 

“Marau têm várias ações que envolvem o coletivo do município e se encaixam nos princípios das Cidades Educadoras: a comunidade participa das ações e a educação não acontece somente dentro do espaços formais”, explica Simone Costenaro Ribeiro, secretária de educação da cidade. 

Para a intersetorialidade tornar possível que cada espaço da cidade seja educador, a secretária complementa que as administrações dos últimos anos têm zelado pela consolidação de uma inteligência comunitária: 

“A prefeitura tem forte relação com as entidades, sejam de cunho comercial ou artísticos, igrejas, Centros de Tradições Gaúchas (CTGs). As pessoas realmente participam, são protagonistas dos eventos”. 

reunião em escola infantil de marau (rs)

Segundo a secretária, há investimento especial na educação da primeira infância do município / Crédito: Prefeitura de Marau

Intersetorialidade e comunidade na construção de políticas públicas 

Perceber a intersetorialidade como uma das potências do territórios foi um esforço conjunto da própria gestão e da Universidade de Passo Fundo (UPS), instituição que foi parceira na formação e também no processo de candidatura à cidade na AICE. 

Eliara Levinski, coordenadora do programa UniverCidade Educadora – que por meio de cursos de extensão forma e apoia gestores e educadores de municípios próximos – recorda os encontros:

“Fomos juntos localizando quais práticas tinham a inscrição da intersetorialidade, o que não é tão comum nas diferentes gestões municipais. Essas práticas foram e são constituídas a partir de diagnósticos e mapeamentos provindos especialmente das escutas que o governo municipal estabelece com a população”. 

“Historicamente a universidade se enclausura, mas a UPS tem no seu processo essa corresponsabilização com sua cidade e região. Sua identidade pedagógica tem essa história de inserção regional e a extensão universitária é a potência de nos tornar cada mais comprometidos com os territórios”, explica Eliara sobre o programa UniverCidade Educadora, que tem ajudado municípios locais – como Soledade (RS) – a reconhecer suas práticas de educação na cidade.

A aproximação do setor público com a comunidade se dá por meio de programas como o Prefeitura em Ação. “Toda estrutura das Secretarias de Marau num determinado momento são deslocadas até um bairro. Lá, a população pode conhecê-la e solicitar uma variedade de serviços”, relata Simone.

Ainda segundo a secretária, o deslocamento demonstra uma das preocupações da gestão em ocupar e oportunizar diferentes espaços públicos. “Fazemos eventos em praças, casas de cultura, lugares onde a população tem acesso tanto ao evento como à cidade. E isso congregando todas as faixas etárias, desde a primeira infância até a terceira idade”. 

exposição em casa de cultura de marau

A Casa de Cultura de Marau é um dos espaços de preservação da identidade local da cidade / Crédito: Prefeitura de Marau

Cultura intergeracional

Durante dois fins de semana do ano, o espaço público de Marau é tomado pela cultura local: é o Cultura 24h. A comunidade artística e a de comerciários se envolve no evento que celebra, entre outras manifestações, a riqueza das tradições gaúchas que ajudaram a formar o município. 

“Músicos, artistas, grupos de tradições gaúchas (CTGs) e da terceira idade, projetos sociais e escolas municipais participam voluntariamente . Existe a parceria através das secretarias, principalmente a de Esporte, Cultura e Lazer, mas também porque as pessoas da sociedade civil se envolvem com a cidade”, relata Simone. 

Para Eliara, a participação ativa dos moradores tem a ver com o fato de que, em Marau, os “sujeitos sentem a cidade”. Antes do título de Cidade Educadora, a UPS reconheceu, junto ao município, os projetos e práticas em prol da formação dos cidadãos para além dos muros institucionais da escola

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“Marau tem o diálogo entre as crianças, adolescentes, adultos e pessoas da melhor idade. Existem práticas culturais que se esparramam nos territórios. Essas gerações estão envolvidas em diferentes manifestações culturais e na valorização da identidade cultural da população em suas vivências, costumes e valores”, adiciona a coordenadora.