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Em defesa da Amazônia: por que manifestantes estão nas ruas pelo mundo

O aumento do desmatamento e de queimadas que atingem a Amazônia colocaram o Brasil no foco do noticiário internacional e reacenderam o debate sobre as políticas de preservação e restauração ambiental conduzidas pelo governo de Jair Bolsonaro. 

Nesta sexta-feira, 23, pelo menos cinco capitais europeias realizam protestos em defesa da Amazônia, e 40 cidades brasileiras já têm atos marcados. Abaixo, o Portal Aprendiz lista os principais motivos que levam jovens, ativistas, movimentos sociais e até parlamentares a ocuparem as ruas. 

1-  O aumento das queimadas 

As queimadas aumentaram 82% no Brasil este ano em comparação com o mesmo período de 2018. Foram mais de 70 mil focos de incêndio entre janeiro e agosto registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) no país. O Mato Grosso do Sul viu o número de queimadas aumentar 260% em relação ao ano passado e lidera a lista, seguido por Rondônia (198%), Pará (188%), Acre (176%) e Rio de Janeiro (173%).

O fogo está consumindo também áreas de proteção ambiental: 68 incêndios foram registrados em territórios indígenas e áreas de conservação somente nesta semana, a maioria deles na região amazônica e em propriedades particulares.

Foram registrados 70 mil focos de incêndio entre janeiro e agosto pelo INPE no país

Foram registrados 70 mil focos de incêndio entre janeiro e agosto pelo INPE no país

Esio Mendes / Fotos Públicas

De acordo com reportagem do jornal El País, desde janeiro, 60% dos focos de incêndio ocorreram em áreas privadas registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) do Brasil, 16% em terras indígenas e 1% em áreas protegidas. Parte dos focos de incêndio em áreas protegidas é uma consequência do desmatamento, segundo um relatório do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

2 – As acusações do presidente 

Bolsonaro atribuiu a responsabilidade pelo avanço do desmate à conivência de governadores da chamada Amazônia Legal, formada pelo estados do Pará, Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia e Roraima e áreas do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. De acordo com o presidente, alguns governantes “não estão movendo uma palha” para resolver a questão.

As organizações da sociedade civil também foram acusadas. Segundo Bolsonaro e sem quaisquer provas, organizações não governamentais de proteção ao meio ambiente podem estar envolvidas nos incêndios ilegais, uma vez que deixaram de receber recursos do executivo.

“Pode estar havendo, não estou afirmando, ação criminosa desses ongueiros para exatamente chamar a atenção contra a minha pessoa, contra o governo do Brasil. Essa é a guerra que nós enfrentamos. Vamos fazer o possível e o impossível para conter esse incêndio criminoso”.

Em nota, a Abong –  Organizações em Defesa dos Direitos e Bens Comuns, se defendeu: “o Presidente deve agir com responsabilidade e provar o que diz, ao invés de fazer ilações irresponsáveis e inconsequentes, repetindo a tentativa de criminalizar as organizações, manipulando a opinião pública contra o trabalho realizado pela sociedade civil.” 

Em sua live semanal, na quinta-feira, 22, o presidente ainda afirmou: “alguns países aproveitam o momento para potencializar as críticas contra o Brasil para prejudicar o agronegócio, nossa economia, recolocar o Brasil numa posição subalterna.”

Leia+: Sociedade civil defende meio ambiente em manifesto

3. A repercussão internacional

Jornais internacionais como o The New York Times, Washington Post, BBC, Reuters, Al Jazeera soltaram reportagens especiais sobre o aumento das queimadas e as falas do presidente. No Twitter, há 3 dias a Amazônia figura como um dos temas mais comentados: as hashtags #PrayforAmazonas e #ActForTheAmazon são destaques mundiais.

O general Hamilton Mourão, vice-presidente da república, saiu em defesa da floresta e rebateu críticas em suas redes sociais.

O presidente da França, Emmanuel Macron, convocou, os países membros do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, embora a União Europeia também esteja representada) para uma reunião emergencial para discutir os incêndios que atingem a Amazônia há 18 dias. “Nossa casa está pegando fogo. Literalmente. A floresta amazônica — o pulmão do planeta que produz 20% do nosso oxigênio — está em chamas. É uma crise internacional. Membros do G7, vamos discutir essa situação emergencial em dois dias”.

 


4 – O descumprimento dos acordos internacionais 

O cumprimento do Acordo de Paris, firmado em 2015 e cujo objetivo é manter o aquecimento da temperatura média do planeta abaixo de 2°C, passa necessariamente pela preservação de florestas.

De acordo com a Organização nas Nações Unidas(ONU), o Brasil é o sétimo país que mais emite gases do efeito estufa no mundo, com 2,48% das emissões. Nos comprometemos, a reduzir essas emissões em 43% em relação aos níveis de 2005 até 2030. Para alcançar a meta, é preciso, por exemplo,  reflorestar 12 milhões de hectares de florestas e a aumentar a participação de bionergia sustentável em sua matriz energética.

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