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Em São Paulo, comitê quer criar políticas de prevenção à violência na adolescência

Nos últimos anos, São Paulo tem conseguido reduzir o número de homicídios. O estado, entretanto, ainda não encontrou caminhos para impedir e diminuir as mortes de adolescentes entre 15 e 19 anos, que se mantém no mesmo patamar há uma década.

Em 10 anos, 6,8 mil adolescentes, entre 15 ou 19 anos, foram assassinados; em 2017, 623 meninos e meninas perderam a vida de forma violenta. Os dados são de um levantamento realizado pelo Comitê Paulista pela Prevenção de Homicídios na Adolescência, lançado nessa quinta-feira (5).

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A pesquisa revelou também que a probabilidade de um adolescente morrer vítima de um homicídio no estado é 85% maior do que um adulto de 30 anos ou mais. Entre as faixas etárias analisadas, este é o grupo com maior risco.

“Esses números mostram a importância de uma política específica de valorização da vida e prevenção da letalidade na adolescência do nosso estado”, defendeu a deputada estadual Marina Helou, presidente do Comitê.

Em média, 32 meninos e meninas são assassinados por dia no Brasil.

Em 2017, no estado de São Paulo morreram 676 crianças e adolescentes de até 19 anos

A articulação é iniciativa de Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Justiça e Cidadania, Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), e tem como objetivo elaborar diagnósticos sobre a questão dos homicídios de adolescentes no estado, definir indicadores e fomentar políticas públicas intersetoriais voltadas à prevenção.

Para a coordenadora do Unicef, é preciso trabalhar em conjunto a fim de enfrentar às violações nas quais crianças e adolescentes estão sujeitos.

“O homicídio é fruto de um conjunto de violações pelos quais o adolescente veio passando. Então, você precisa trabalhar de maneira intersetorial para chegar à preveni-lo. Estamos falando de políticas de educação, para que o adolescente esteja na escola e ela seja um espaço de proteção; que ele esteja protegido pela família, que também precisa de uma série de apoios para que esteja fortalecida; é preciso ter acesso à politicas de ingresso ao mundo do trabalho de maneira segura e correta como prevista na legislação. Enfim, esse adolescente precisa estar inserido nas políticas públicas e elas não podem estar isoladas”.

Os grupos de trabalho do comitê contarão com a participação efetiva da sociedade civil e organizações interessadas na criação de políticas públicas de prevenção de homicídios nessa faixa etária. A partir  dessa articulação, o comitê vai produzir um plano de trabalho de 2019 a 2021, em quatro linhas de ação: dados e pesquisas; políticas públicas intersetoriais; pautas dos territórios; e o funcionamento do sistema de justiça.