Transformar a cidade

Como vivem as crianças e adolescentes de São Paulo, segundo esta pesquisa

Publicado originalmente na Rede Nossa São Paulo

A edição de 2019 da pesquisa “Viver em São Paulo: Crianças e Adolescentes”, da Rede Nossa São Paulo,  aborda a percepção de paulistanas e paulistanos em relação à segurança de equipamentos públicos para crianças e adolescentes, o que deve ser prioridade na gestão pública para que a cidade de São Paulo promova mais qualidade de vida para essa parcela da população, entre outras questões.

O levantamento revela que quase metade das pessoas entrevistadas são responsáveis por alguma criança e/ou adolescente: 26% são responsáveis por criança; 12% por adolescente; 8% por criança e adolescente; 7% moram com criança ou adolescente, mas não são responsáveis; 45% não são responsáveis e nem moram com criança ou adolescente.

Participação

Cerca de 4 em cada 10 paulistanas e paulistanos têm a percepção de que as crianças e adolescentes nunca participam das decisões de questões que as afetam nos bairros e na cidade.

Na cidade, 38% consideram que crianças e adolescentes nunca participam, 28% raramente, 16% às vezes e 7% sempre. Enquanto nos bairros, 36% das pessoas entrevistadas afirmam que essa parcela da população nunca participa das decisões que a afeta, 27% afirmam que raramente, 18% às vezes e 9% sempre.

Já nas escolas, 17% consideram que as crianças e adolescentes nunca participam, 27% raramente, 28% às vezes e 17% sempre; e nas famílias, 20% nunca, 21% raramente, 31% às vezes e 20% sempre.

Estatuto da Criança e do Adolescente

A pesquisa aponta, ainda, que cerca de 1/3 das paulistanas e paulistanos não conhecem, mesmo que de ouvir falar, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – 32% não conhecem, mesmo que de ouvir falar. Entre as pessoas que declaram conhecer o ECA, 80% o consideram muito importante para a garantia de direitos de crianças e adolescentes; 13% pouco importante; e 4% nada importante.

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Qualidade de vida e infraestrutura

A maioria da população paulistana avalia como pouco ou nada seguro equipamentos públicos para crianças e adolescentes, principalmente praças e parques (34% consideram nada seguro, 55% pouco seguro, 5% muito seguro) e quadras poliesportivas (26% avaliam como nada seguro, 56% pouco seguro, 7% muito seguro).

Já em relação aos centros culturais e CEUs, 10% declaram considerar nada seguro, 54% pouco seguro, 20% muito seguro; enquanto as bibliotecas públicas são avaliadas como nada seguras por 10% das paulistanas e paulistanos, como pouco seguras por 45% e como muito seguras por 27%.

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Os shoppings são os locais que a população paulistana mais utilizou ou percebeu fraldários (47%). Cerca de metade das pessoas entrevistadas não fez uso, notou ou percebeu esse tipo de espaço nos locais pesquisados (49%). Já 14% afirmaram utilizar ou perceber fraldários em supermercados; 13% em restaurantes; 12% em cinemas; 11% em museus/ centros culturais; 7% em comércios e lojas em geral; e apenas 6% em parques públicos.

Melhorar a infraestrutura das creches e escolas é a ação mais apontada como prioridade para que a cidade promova mais qualidade de vida para as crianças e adolescentes (32%). Seguida de melhorar a conservação de espaços públicos, como praças e parquinhos (23%); aumentar a oferta de atividades culturais focadas nesse público (18%); mais áreas verdes e ampliar o número de equipamentos seguros para crianças e adolescentes brincarem e se divertirem (11% cada item).

Sobre a pesquisa

A pesquisa “Viver em São Paulo: Crianças e Adolescentes” faz parte da série “Viver em São Paulo”, iniciada em 2018, realizada pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope Inteligência. Os levantamentos são apresentados mensalmente com recorte temáticos.