Aprender na cidade

14 filmes para compreender as ditaduras no Brasil e na América Latina

Na última semana, as declarações do presidente Jair Bolsonaro repercutiram nos principais veículos de comunicação do país. Durante transmissão ao vivo no Facebook, ele mencionou que servidores ambientais que “atrapalhassem” o governo deveriam ir para a “ponta da praia”, gíria usada no regime militar para se referir a presos políticos que seriam torturados em uma base da da Marinha na Restinga de Marambaia, no Rio de Janeiro. No mesmo dia, o filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), sugeriu a criação de um novo AI-5, decreto emitido durante a ditadura que restringia a liberdade de expressão.

Leia+: Constituição de 88: a participação social como base e defesa da democracia

A escola não pode negar fatos históricos. As declarações foram criticadas e levantaram debate sobre a importância da democracia e de evitar os perigos da ditadura.

Abaixo, selecionamos filmes brasileiros e estrangeiros que retratam os “anos de chumbo” na América Latina e podem servir de apoio para o professor que deseja contextualizar suas aulas. Confira:

Uma noite de 12 anos (Álvaro Brechner, 2018)
José Mujica, Mauricio Rosencof e Eleuterio Fernández Huidobro são militantes dos Tupamaros, grupo que luta contra a ditadura militar local. Eles são presos em ações distintas e encarcerados junto a outros nove companheiros, de forma que não possam sequer falar um com o outro. Ao longo dos anos, o trio busca meios de sobreviver não só à tortura, mas também ao encarceramento que fez com que ficassem completamente alheios à sociedade, sem a menor ideia se um dia seriam soltos.

Colônia (Florian Gallenberger, 2015)
Um jovem casal se envolve no golpe de Estado do Chile em 1973. Ele é sequestrado pela polícia secreta de Pinochet, e ela vai seguir a pista até uma área no sul do país chamado Colonia Dignidad.

O dia que durou 21 anos (Camilo Tavares, 2013)
Documentos secretos e gravações originais da época mostram a influência do governo dos Estados Unidos no Golpe de Estado no Brasil em 1964. O filme destaca a participação da CIA e da própria Casa Branca na ação militar que deu início a ditadura.

Violeta foi para o Céu (Andrés Wood, 2011)
Perfil da famosa e aguerrida cantora chilena Violeta Parra, incansável defensora dos direitos humanos e da democracia. Programa reconta sua vida, faz um apanhado de suas principais canções, com fotos da época e depoimentos de colegas e amigos.

Tony Manero (Pablo Larrain, 2009)
No fim dos anos 70, no Chile, Raúl Peralta é obcecado pelo filme “Os Embalos de Sábado à Noite” e pelo personagem Tony Manero, de John Travolta. Mas ele exagera quando decide participar de um concurso para imitadores.

Batismo de Sangue (Helvécio Ratton, 2007)
Baseado no livro de Frei Betto, o filme conta a história de cinco frades dominicanos que se engajaram na guerrilha contra a ditadura militar nos anos 60 no Brasil. Por apoiarem a luta armada, são considerados comunistas, são presos e torturados.

Zuzu Angel (Sérgio Rezende, 2006)
Nos anos negros da ditadura, Zuzu Angel era uma estilista de sucesso que conquistava o mundo com o seu talento, até que seu filho Stuart desapareceu nas mãos dos militares e foi torturado e morto.

Salvador Allende (Patricio Guzmán, 2004)
Desde a infância passada em Valparaíso à morte durante o golpe militar do General Pinochet em 11 de setembro de 1973, um panorama da vida e das realizações do presidente chileno Salvador Allende, incluindo entrevistas e imagens de arquivo.

Que Bom Te Ver Viva (Lúcia Murat, 1989)
Murat, que foi torturada no período da ditadura militar, narra a vida de algumas mulheres brasileiras que pegaram em armas contra o regime militar. Há uma série de depoimentos de guerrilheiras e cenas do cotidiano dessas mulheres que recuperaram, cada uma à sua própria maneira, os vários sentidos de viver.

A História Oficial (Luis Puenzo, 1985)
Após o fim da Guerra Suja na Argentina, uma professora investiga a origem de sua filha adotiva.

Cabra marcado para morrer (Eduardo Coutinho, 1984)
Em 1962, o líder da liga camponesa de Sapé (PB), João Pedro Teixeira, é assassinado por ordem de latifundiários. Um filme sobre sua vida começa a ser rodado em 1964, com a reconstituição ficcional da ação política que levou ao assassinato e direção de Eduardo Coutinho. As filmagens são interrompidas pelo Golpe Militar de 1964. Dezessete anos depois, em 1981, Eduardo Coutinho retoma o projeto e procura Elizabeth Teixeira e outros participantes do filme interrompido.

Pra Frente, Brasil (Roberto Farias, 1982)
Após ser confundido com um ativista político, um pacato cidadão da classe média é preso e torturado por agentes federais durante a euforia do milagre econômico brasileiro e da Copa do Mundo de 1970.

Missing – O Desaparecido (Costa-Gavras, 1982)
Num país da América do Sul, após golpe militar, jornalista americano de esquerda some. O pai dele desembarca para ajudar a nora na procura. A custo, ele é obrigado a admitir que o desaparecimento é parte de uma conspiração acobertada pelos EUA.

Eles não usam black-tie (Leon Hirszman, 1981)
Otávio é um militante sindical que organiza um movimento grevista para resistir às práticas exploradoras de uma metalúrgica, onde seu filho Tião trabalha. Mas com a namorada grávida, Tião resiste à greve para não perder o emprego.

Publicado originalmente no Porvir