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Ameaçado de fechar, Aparelha Luzia lança campanha de financiamento coletivo

O Centro Cultural Aparelha Luzia, também conhecido como quilombo urbano com produção artística e política de pessoas negras, abriu um campanha de financiamento na última semana. Um dos objetivos principais é o isolamento acústico do espaço para garantir que as atividades não sejam encerradas por causa de barulho.

Até o momento, com 312 doações, o financiamento atingiu R$ 22.605,00. A meta é chegar a R$120.000,00. Para isso, restam 29 dias. O dinheiro também deve ser destinado para a reforma da cozinha e da entrada do local para garantir mais segurança ao público.

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De acordo com o texto que acompanha a página de financiamento, os organizadores afirmam que a perseguição política constante sobre a Aparelha é de conhecimento geral.

“Este é só o indício mais visível do problema que precisamos resolver, não só como medida de segurança dos nossos corpos frequentadores, mas pela segurança da própria Aparelha, que vem sendo assediada por estruturas de poder que inferiorizam, perseguem e exterminam a vida de toda gente bonita que habita longe da normatividade.”

deputada erica malunguinho no aparelha luzia

A deputada estadual de SP Erica Malunguinho, criadora do espaço / Crédito: Pedro Borges

O espaço foi idealizado e criado pela deputada estadual por São Paulo Erica Malunguinho, em 2016. Inicialmente, seu projeto era usar o local como um ateliê. Com o passar do tempo, no entanto, transformou-se em um espaço de convivência e circulação de artistas negros.

Hoje, o Aparelha recebe mensalmente cerca de cinco mil pessoas para intervenções artísticas que lá acontecem, como shows, exposições de filmes, oficinas e cursos.

O nome escolhido ao espaço é referência à versão feminina de aparelhos, estruturas de resistência utilizadas durante a ditadura militar brasileira. Quando ao nome “Luzia”, refere-se ao fóssil humano mais antigo do Brasil.

Para acessar a página de financiamento, clique aqui.
*Matéria originalmente publicada no site Brasil de Fato. A autoria é de Caroline Oliveira. A foto de capa é de Daisy Serena.