Criar na cidade

Site espanhol ‘Frena la Curva’ condensa iniciativas cidadãs para lidar com o coronavírus

Atividades para fazer com as crianças dentro de casa; dicas para uma alimentação mais saudável. Filmes, livros e cursos virtuais abertos e gratuitos. Essas são algumas das iniciativas propostas e mapeadas pelo Frena la Curva, um fórum cidadão criado na Espanha para responder ao desafio coletivo que tem sido a doença Covid-19D, provocada pelo coronavírus. 

A velocidade de alastro da doença respiratória mobilizou a criação da plataforma, que nasceu a partir do Laboratório de Governo Aberto em Saragoça, capital da comunidade de Aragão. Raul Oliván, um dos responsáveis pela iniciativa, relata: 

“É uma ideia que tem poucos dias mas que se desenvolveu rapidamente. O que começou dentro do laboratório de iniciativas cidadãs rapidamente ganhou apoio de voluntários, organizações sociais, ativistas, outros laboratórios de inovação e empresas e se converteu em 48 horas em uma plataforma cidadã”. 

A resposta rápida e voluntária do Frena la Curva condiz com a necessidade de resposta à pandemia não só por partes dos governos, mas da população, como reforça Alex Dantart, um de seus organizadores:

“Nas últimas horas, comprovamos como brotam centenas de iniciativas espontâneas de solidariedade, amostras de resiliência cívica que revelam nossa melhor versão como sociedade: grupos informais de autoajuda, vizinhos que pela primeira vez se oferecem a comprar coisas para idosos, jovens que querem ajudar cuidando das crianças de trabalhadores que não podem ficar em casa, comunidade maker apoiando o sistema de saúde, e grupos de teatro e música que fazem show nas redes sociais”. 

Somente nas primeiras horas de funcionamento, se haviam registrado 320 iniciativas, vindo de 900 usuários registrados. 

Como funciona 

De linguagem simples e acessível, o fórum divide as iniciativas por algumas áreas: atividades para fazer com crianças, trabalho, cuidados com a saúde, relação saudável com a internet e cursos online gratuitos são exemplos. 

A iniciativa também tem ações físicas importantes: voluntários estão recolhendo máscaras não utilizadas profissionais de saúde e pacientes de risco.

“Todo mundo, qualquer pessoa, pode colocar iniciativas. E o legal é que esse modelo já começou a ser replicado em outros países, como Argentina, Uruguai e Brasil”, adiciona Raul.

E no Brasil?

Segundo os últimos boletins divulgados pelo Ministério da Saúde, o Brasil está com mais de 600 casos confirmados e 7 mortes. Estados estão instituindo medidas de prevenção e isolamento.

Inspirados no modelo espanhol, um grupo de voluntários brasileiros deve lançar em breve a plataforma ‘Segura a Onda’. Rodrigo Savazoni, do Instituto Procomum e um dos responsáveis pela articulação, explica que a plataforma ainda está em fase embrionária, mas também acelerada:  

“Não é só responsabilidade das autoridades frear a evolução [do coronavírus], é uma responsabilidade cidadã. Não é simples ficar confinado, estamos falando de quarentena, de não poder se deslocar. Hoje a gente tem recurso da internet, mas não é tudo que pode ser virtualizado, tem que coisa que vai fazer falta, então é a hora da gente somar nossa consciência cidadã”. 

o logo da iniciativa brasileira

Logo da plataforma brasileira, ainda em construção / Crédito: Imagem cedida por Rodrigo Savazoni

Para além de propor iniciativas, o desejo é que a plataforma consiga corresponder a dois desafios: um é ser o menos genérica possível, concentrando iniciativas diferentes a partir de cada estado brasileiro e seus territórios variados; e também, que ela consiga reunir informações de qualidade ante fakenews sobre a pandemia. 

“A plataforma é uma tentativa de virtualizar boas informações práticas e em vários níveis. O desafio do coronavírus é coletivo, convoca a humanidade a repensar certas condutas, posturas e pode ser um momento de aprendizado não só para agora mas para o futuro. O coronavírus está evidenciando coisas que precisam ser sempre olhadas, como nosso sistema de saúde. Isso pode ensinar o que fazer em coletividade e de que jeito queremos viver daqui pra frente”.