Criar na cidade

Alagoas cria Laboratórios de Aprendizagem e engaja jovens e territórios

Para lidar com a suspensão das aulas presenciais, em decorrência da pandemia do novo Coronavírus, a rede estadual de Educação de Alagoas criou os Laboratórios de Aprendizagem, que começaram a ser implementados na metade de abril nas mais de 300 escolas da rede.

O projeto consiste em cada escola criar sete ambientes educativos, que têm por base o currículo do Estado e a BNCC, da maneira que fizer mais sentido para a realidade de seu corpo docente, estudantil, e do território, considerando os desafios e também as potencialidades

Matéria publicada originalmente no Centro de Referências em Educação Integral. A autoria é de Ingrid Matuoka.

“Tivemos que descobrir novas formas de construir aprendizagens, e propor um modelo de escola ideal e possível nesse momento, e não só tentar transferir a escola para a casa. Então esses laboratórios têm o objetivo de provocar uma aprendizagem significativa, que coloque o estudante como protagonista, e olhe para o território, o social, a casa e a rotina de cada um e o contexto que estamos vivendo”, explica Jacielma Pereira Leite, gerente do Núcleo Estratégico de Acompanhamento Pedagógico da rede estadual de Alagoas.

Os laboratórios são organizados em sete áreas:

Língua Portuguesa: ênfase em leitura e produção de textos;

Matemática: focado em leitura e resolução de problemas;

Comunicação: checar fontes, interação, notícias e veracidade dos discursos veiculados atualmente;

Ideias inovadoras: estimular a atitude que promova o empreendedorismo, com organização, planejamento, capacidade de execução e liderança;

Iniciativa social e comunitária: trata-se da integração do estudante com seu território, para envolvê-los em projetos de exploração das demandas sociais;

Atividades lúdicas: que promovam o prazer e integração das diversas linguagens;

Clube de leitura: a interação com vários gêneros literários.

A metodologia dos laboratórios consiste em propor roteiros de estudos a partir de um tema gerador, com atividades planejadas para serem desenvolvidas durante três semanas. Para organizar a elaboração desses roteiros, os professores de cada escola se reuniram em grupos por etapa de ensino para planejar as atividades de maneira interdisciplinar. Durante o final de março e começo de abril, os professores foram formados para trabalhar com essa metodologia e lidar com recursos digitais.

“Os estudantes têm feito brincadeiras típicas de seu território, recitado cordel, e os professores enviam cartas para os alunos. E o retorno tem sido muito positivo, os estudantes estão gostando desse formato”, conta Jacielma.

Todas as atividades são adaptadas para serem feitas de maneira virtual, de acordo com os aplicativos e a conectividade que cada família possui, ou por meio de materiais impressos e cadernos, enviados às famílias pelo correio ou entregues na escola e nos principais mercados das cidades. A secretaria do Estado também está em diálogo com a rede municipal para avaliarem a possibilidade de implementarem os Laboratórios de Aprendizagem.

A experiência de duas escolas

Na Escola Torquato Cabral, que atende 347 alunos do 1º a 3º ano do Ensino Médio e de Jovens e Adultos, o tema disparador para os primeiros 15 dias foi “Charges e Redes Sociais”.

O laboratório de matemática trabalhou potenciação e funções exponenciais a partir de uma charge, uma reportagem e um vídeo. Depois, os alunos foram desafiados a descrever a importância da matemática no combate ao Coronavírus e a produzir uma charge explicando o tema, em vídeo ou desenho no caderno.

Para os 190 alunos que estão na zona rural e não têm acesso à internet, os professores Fizeram um roteiro do que tem no vídeo e fazem a solicitação do que querem para os alunos.

Já no laboratório de práticas comunitárias, abordaram a questão da solidariedade em meio à pandemia, e entrevistaram pessoas da família sobre o que significa solidariedade, e da comunidade, de maneira remota, com pessoas que tivessem feito algum trabalho comunitário.

Agora vamos trabalhar com o 1º ano a importância da tecnologia em meio ao isolamento social, e com o 2º ano a crise econômica e política em meio à pandemia. E para o 3º, estamos começando conteúdos novos dentro da matriz curricular do Enem”, conta a gestora da escola, Maria Antonieta Almeida Bastos.

Já na E. E. de Ensino Integral Professora Edleuza Oliveira da Silva, que atende 646 alunos de Ensino Médio e Jovens e Adultos, o tema gerador foi “Os impactos do Covid na região”, trabalhando o bairro e a cidade, com notícias, gráficos e porcentagens, e analisando os impactos econômicos, esportivos, culturais e religiosos. A partir de agora, vão trabalhar o que vai ser feito, tanto individualmente quanto coletivamente.

“Essa experiência tem trazido dispositivos que conhecíamos mas não aplicávamos, como a organização do diário de bordo, que traz autonomia e segurança para os estudantes e favorece a autoavaliação. São coisas que queremos levar para a escola após a pandemia”,  conta Alexsandra Rodrigues da Costa, diretora da escola.