Criar na cidade

Edital premiará jovens periféricos com até R$20 mil para incidir no territórios

A rede de ativismo NOSSAS acaba de abrir inscrições para o edital Periferia que Faz. Serão distribuídas bolsas de R$10 mil e R$20 mil a jovens periféricos de 18 a 30 anos para fortalecer projetos de impacto em suas comunidades. Poderão concorrer pessoa física, coletivos e organizações, institucionalizadas ou não.

Serão aceitos projetos nas áreas de meio ambiente e clima; esporte; lazer; assistência social; direitos humanos; educação; combate ao trabalho infantil; direitos digitais; comunicação comunitária; arte e cultura; saúde e prevenção de doenças; ciência; e enfrentamento da Covid-19.

Há especial incentivo para projetos que abordem o combate direto ou indireto ao racismo em suas mais diversas formas, e o próprio processo de seleção priorizará mulheres negras, indígenas e cis. Todas as cinco regiões do país serão contempladas no edital.

“Acreditamos que um edital é a maneira mais democrática de chegarmos ainda mais longe e ampliar as oportunidades. Por isso escolhemos apoiar quem já atua ou quer atuar por mudanças em suas comunidades mesmo com poucos recursos. Conscientes da profunda desigualdade social do nosso país, estamos propondo um edital que levará em consideração as dinâmicas dessas desigualdades: as propostas devem ter como foco territórios de periferia”, relata o informe na página oficial.

Como se inscrever

Os candidatos podem se inscrever até o dia 30/09 na página do edital. Depois, é preciso se inscrever em um formulário enviado por email após a pré-inscrição, contando sobre o projeto e gravando um vídeo de 2 minutos. Os candidatos escolhidos serão divulgados no dia 30 de outubro.

Jovens periféricos no Brasil e Covid-19

Embora aguerrida no combate à disseminação do vírus, a juventude enfrenta os riscos de contaminação e também as desigualdades que ele escancara: segundo a pesquisa “Síntese de Indicadores Sociais 2019 – Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira”, publicada pelo IBGE, 10,9 milhões de jovens entre 15 e 29 não estudam ou trabalham – número que deve aumentar durante a pandemia.

Já para os jovens que estão estudando, a pandemia desvela um cenário de exclusão digital: Ainda segundo o IBGE, 58% dos domicílios no Brasil não tem internet. Estudar à distância, procurar emprego ou acessar canais digitais de cultura se converte em privilégio.

“E ainda se tratando de jovens, não podemos esquecer de mencionar a necropolítica instaurada no nosso país com relação a população periférica. Ou o jovem morre de coronavírus, ou morre como João Pedro, de 14 anos, morto pela polícia em sua casa enquanto praticava isolamento social no Rio de Janeiro”, alerta o ativista social e educador Bruninho Souza.