Criar na cidade

Coletiva de mulheres organiza aulas gratuitas e virtuais de iorubá e guarani

As culturas guarani e iorubá, de origem indígena e africana, fazem parte da amálgama formativa dos saberes brasileiros. Ainda é possível encontrar palavras no português cuja etimologia remonte às línguas faladas por esses povos, e também espaços onde ainda resistem, como comunidades indígenas ou centros de religiões afro-brasileiras.

Com informações e colaboração de Jéssica Moreira. 

A Coletiva Tear & Poesia de Arte Têxtil Preta Nativa está com inscrições abertas para oficinas de língua e cultura Iorubá e Guarani. Em razão da pandemia, elas ocorrerão de forma gratuita e virtual entre os dias 5 e 22 de outubro.

Os educadores nativos e falantes do ambas as línguas sobrevoarão diversos saberes de alimentação, religião e artes para falar sobre como os dois idiomas foram cruciais na formação sociocultural do Brasil.

Prince Adewale Adefioye Adimula

O educador Prince Adewale Adefioye Adimula ministrará as oficinas de iorubá / Crédito: Divulgação

Os educadores

As aldeias guarani que circundam  a cidade de São Paulo são espaços de produção de conhecimentos dos povos autóctones da região. É da Tape Mirim (Tenondé Porã), situada em Parelheiros, zona sul de São Paulo, que vem os dois educadores de língua guarani do curso.

“A cultura brasileira é a cultura guarani”, o educador Tapaiyuna dos Santos kitãulhu delimita, acrescendo que aprender este idioma é uma forma de apoiar a luta das populações tradicionais e também minar preconceitos e estereótipos com relação às comunidades que se localizam em perímetro urbano.

“É importante aprender para também ter respeito e valorizar a nossa cultura. Uma pessoa veio aqui e disse que éramos ‘modernos’ porque tínhamos celular e vestíamos roupas”, explica.

Já as oficinas de Iorubá serão ministradas por Prince Adewale Adefioye Adimula. Nascido na cidade de Ilê Ifé, estado Osun da Nigéria, Prince chegou no país em 2001 e, em 2019, naturalizou-se brasileiro. Desde a chegada, é sacerdote Baba Adimula em casas de religião de matriz-africana.

“O Iorubá é muito usado no Brasil como ferramenta da liturgia nos cultos de Candomblé. A raiz é única, mas há particularidades que recebeu em território brasileiro, se diferenciando daquele que é falado na Nigéria, Benin ou Costa do Marfim”, ele diz.

A Coletiva Tear & Poesia de Arte Têxtil Preta Nativa

Formada por mulheres residentes da periferia da zona sul da cidade de São Paulo, que atuam há mais de 20 anos na região, a coletiva borda poemas e histórias ligadas à memória afetiva e herança cultural feminina, interseccionando temas como cultura popular, natureza e infância.

As aulas de guarani e iorubá online integram o ‘Projeto Pangeia Entre Elos: Palavra de Mulher’, que pesquisa teorias da pangeia e a relação dos grafismos africanos com os nativos das populações indígenas brasileiras.

“Temos como foco dialogar com a mulher em diáspora, tanto imigrantes africanas quanto latino-americanas e caribenhas, mostrando também semelhanças entre grafismos nativos brasileiros, indígenas, e africanos, buscando identificar similitudes sutis pouco estudadas e menos difundidas entre culturas originárias daqui e de África”, relata Rita.

coletiva de mulheres teando

Coletiva Tear & Poesia de Arte Têxtil Preta Nativa / Crédito: Divulgação

Serviço
Oficinas de Língua e Cultura Iorubá e Guarani
Data: 5, 6, 7, 8, 9 e 13/10 (Iorubá) | 19, 20, 21 e  22/10 (Guarani)
Horário: sempre às 19h30
Quem pode participar: livre para todos os públicos
Link para inscrições em Iorubá: http://bit.ly/oficinas-yoruba
Link para inscrições em Guarani: http://bit.ly/oficina-cultura-lingua-guarani
Contatos/ Redes Sociais
www.tearepoesia.com
Facebook: www.facebook.com/tearepoesia
Instagram: www.instagram.com/tearepoesia