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Projetos usam tecnologia digital para melhorar qualidade de vida nas cidades

Compartilhar a ida à faculdade. Dividir uma carona até o local de trabalho. Obter utensílios de que precisa, não comprando, mas alugando. É possível fazer tudo isso por meio de projetos que têm como foco tornar melhor a vida das pessoas nas cidades.

Ideia da carona compartilhada vai contra congestionamentos enfrentados nas grandes cidades.

Desde maio, tem funcionado o projeto Campus Aberto. Lançado pelo Instituto Mobilidade Verde, com o apoio do site Catraca Livre, o sistema é destinado aos universitários que desejam compartilhar trajetos. Hoje, dez universidades estão cadastradas no site que é gratuito. Ao todo, dez mil estudantes já estão no sistema.

O usuário deve apenas colocar o endereço da sua casa no site, selecionar a universidade onde estuda e, então, vai receber o contato de outros jovens que todos os dias fazem o mesmo percurso, facilitando o meio de achar uma carona, rachar um táxi ou ainda combinar um trajeto de bicicleta juntos.

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“O mundo está mudado e continuamos fazendo coisas em um velho padrão, como se deslocar sozinho dentro do carro. O objetivo do projeto é a mobilidade de forma mais barata, mais sustentável e mais rápida”, explica o idealizador do Campus Aberto, Lincoln Paiva.

Inclusive uma caminhada pode ser compartilhada, ressalta Paiva. “Parece estranho compartilhar uma caminhada, mas não é. Pessoas que pegam determinado transporte no Sacomã, em São Paulo [SP], por exemplo, não precisam ficar com medo de se deslocarem até o lugar à noite, porque podem ir em grupo.”

Também pensado para dividir caronas, o projeto Caronetas almeja os seguintes benefícios para os usuários: economizar dinheiro – ao rachar o combustível, o estacionamento e o valor do pedágio –, enfrentar o trânsito acompanhados e também colaborar com o meio ambiente.

“Queremos trabalhar a mudança de cultura. A pessoa não deixa de ter o conforto do carro, simplesmente compartilha esse conforto com alguém”, diz o empresário Marcio Nigro, criador do Caronetas.

Após seis meses da estreia, a ferramenta digital, que conecta pessoas que trabalham e moram próximas umas das outras, deve fechar o mês de agosto com 11 mil inscritos. O único requisito para participar é estar trabalhando em uma empresa cadastrada.

“Uma pessoa que usa o carro sozinha gasta R$ 200 de estacionamento, tem o risco de ser multado ou de bater e paga a gasolina. Se compartilhasse, economizaria no mínimo R$ 300 por mês”, aponta Nigro. Até o final do ano, o Caronetas pretende estar com cem mil carros cadastrados.

Na mesma perspectiva do compartilhamento está o portal Descolaí, destinado a estabelecer contratos de aluguel e trocas entre pessoas. Basta se cadastrar para anunciar produtos a serem alugados ou para buscar algo de que necessite.

A iniciativa é movida pelo fato de comprarmos muitas coisas que não usamos, segundo o fundador, Gui Brammer. “O consumo colaborativo serve para repensar o modelo atual de consumo. É possível olhar para o consumo colaborativo com a visão de negócio. O site usa a proximidade das pessoas para que possam emprestar uma furadeira ou ferro de passar. Trabalha com a geolocalização.”

Mídias Comunitárias

Os projetos baseiam-se na ideia de que é possível adotar medidas dentro de comunidades para melhorar a qualidade de vida, com tecnologia e recursos locais O movimento vem sendo denominado de Mídia Comunitária (Civic Media, nos Estados Unidos).

O pesquisador do conceito, Leo Burd, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), chama atenção para o quanto a Internet favorece que pessoas geograficamente distantes se reúnam, passem a se encontrar com mais facilidade e se beneficiem desses contatos.

Nesta terça-feira (16/8), acontece uma discussão sobre a temática em São Paulo (SP), durante o seminário de comemoração dos 14 anos da Associação Cidade Escola Aprendiz, intitulada “Cidades Inteligentes – como as tecnologias da informação produzem cidades mais educadas”. O evento acontece a partir das 18h no Instituto Itaú Cultural, localizado na Avenida Paulista, 149.