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Município de São Paulo promete atender apenas 12% da demanda de creches

A ampliação das vagas em creches na cidade de São Paulo deverá dar conta de apenas 12% do total de crianças que estão fora dessa etapa do ensino, de acordo com o secretário da Educação, Alexandre Schneider. As novas escolas de educação infantil, que deverão estar prontas em 2012, devem atender 18 mil crianças, sendo que o deficit do município é 147 mil vagas.

Schneider participou, na sexta-feira, do Festival Bairro-Escola, em São Paulo (SP).

Em entrevista exclusiva ao Portal Aprendiz, Schneider justificou que a dificuldade de encontrar novos terrenos é um dos problemas que impedem a Secretaria Municipal da Educação de atender 100% das crianças.

O secretário falou, ainda, sobre o novo indicador de qualidade de ensino da capital paulista, que será atrelado ao bônus do professor, além do Plano Municipal de Educação. Schneider espera que o documento seja votado até o final deste ano.

Portal Aprendiz – Faltam 147 mil vagas em creches para matricular 100% das crianças na faixa etária para essa etapa da educação. O que impede a prefeitura de cumprir esta demanda?

Alexandre Schneider – Acho importante recuperar o histórico. Mais que dobramos o número de vagas nas creches. O orçamento para educação infantil saiu de R$ 170 milhões para R$ 1 bilhão. O nosso problema para construir é achar novos terrenos. Temos aumentado convênios e construído também.

Vamos lançar um plano de obras nesta semana, com obras já licitadas. São contratos assinados para 140 novas unidades de educação infantil (creches e pré-escolas). O grande problema é poder construir onde as pessoas já moram, questões da própria legislação do município, que não podemos desrespeitar.

Aprendiz – E quantas crianças essas 140 novas unidades vão atender?

Schneider – O nosso modelo de creche é para 200 alunos e de pré-escola para  aproximadamente 500 crianças por unidade. Na creche, serão abertas em torno de 18 mil vagas.

Aprendiz – E quando elas ficarão prontas?

"Assinamos contratos para a construção de 140 novas unidades de educação infantil."

Schneider – Ano que vem.

Aprendiz – Mas a meta da prefeitura no Programa de Metas da Cidade de São Paulo era matricular 100% das crianças até 2012?

Schneider – Existe uma confusão a respeito desse dado. O compromisso do prefeito foi feito com base naquela demanda, de dezembro de 2008, cujo total de crianças fora das creches era 58 mil.

Não podemos saber como a demanda vai se comportar. Existem cerca de 600 mil crianças nessa faixa etária em São Paulo. Nem todas elas os pais decidem colocar em creches, sejam privadas ou públicas. Teoricamente, então, a demanda de hoje poderia ser muito maior.

Aprendiz – Então, a Secretaria considera que a meta de matricular 100% das crianças nas creches já foi cumprida?

Schneider – Teria que checar os números direito, mas o importante é que, enquanto houver uma criança fora, temos que buscar uma vaga para ela. A Secretaria da Educação praticamente já cumpriu aquela meta dos 58 mil. É difícil estabelecer uma meta sem ter um número exato.

Aprendiz – O que pode ser dito sobre a pré-escola?

Schneider – Provavelmente vamos conseguir universalizar o acesso à pré-escola com quatro anos de antecedência. O prazo do Ministério da Educação (MEC) é 2016 e vamos fazer até 2012.

Aprendiz – O Indique, novo indicador criado pela sua equipe para medir a qualidade do ensino da cidade, vai ser implantado com um bônus para os professores. No estado de São Paulo e em Nova York, a bonificação não se mostrou eficaz para aumentar o desempenho dos estudantes. Por que a prefeitura vai adotá-la?

Schneider – A prefeitura adotou políticas muito diferentes daquelas do estado de São Paulo e de Nova York. Temos uma rede muito particular que não pode ser comparada com a nossa. Qual foi a nossa aposta? Aumentar os salários dos professores o máximo possível.

O bônus existe desde 2001, só que não havia regras. Ele não é nossa política principal, mas como já existe uma lei que institui o bônus para o professor, precisamos procurar um indicador para medir isso.

Aprendiz – Como será a avaliação do professor para medir?

Schneider – Uma parte vai se dar pela questão da assiduidade, quem vai e quem não vai, mas não só. Essa é uma política que pode ser adotada para reconhecer os profissionais, mas melhorar a educação depende de uma série de outras coisas. Se há um bônus, ele precisa de regras.

Aprendiz – Sobre o Plano Municipal de Educação, em que etapa ele se encontra atualmente?

Schneider – Espero que seja votado até o final do ano. Devemos enviar nas próximas semanas para a Câmara Municipal, mas ele já está concluído. O ideal é ser votado esse ano para já começar a valer o ano que vem.

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* As repórteres Desirèe Luíse e Raiana Ribeiro foram as responsáveis pela entrevista.