Arquivo

Preservação do meio ambiente motiva pesquisas de futuros cientistas

Entre os 350 projetos apresentados na 26ª Mostra de Ciência e Tecnologia (Mostratec), que se encerra nesta sexta-feira (28/10), em Novo Hamburgo (RS), uma temática merece destaque: a necessidade de proteção do meio ambiente.

Diversos projetos carregam em si a preocupação em utilizar melhor os recursos naturais, além de apontarem para novas formas de utilização de materiais que, nas gerações passadas, eram chamados de lixo.

Conheça alguns deles:

Ecopote

Gabriel da Mota Silveira, 19, conseguiu eliminar o plástico usado no plantio de mudas. Para isso, desenvolveu um recipiente feito de papelão, calcário e fibra de coco, totalmente orgânico e capaz de armazenar pequenas plantas. “A gente ‘recicla’ duas vezes quando não usa o plástico e depois quando reaproveita o papelão”, explica o estudante, que agora se prepara para ingressar em Engenharia Florestal na Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O denominado Ecopote ainda dá liberdade para que as raízes da planta se desenvolvam e, em cerca de 3 ou 4 meses, se decompõe totalmente. Diferentemente dos recipientes de plástico, que precisam ser removidos no processo de replantio, o Ecopote permite que a planta cresça sem obstáculos.

TelhaPak

Cerca de 45 milhões de embalagens TetraPak – conhecidas como caixas longa vida – são descartadas por dia no mundo. Compostas por 75% de papel, 20% de plástico e 5% de alumínio, a reciclagem desse tipo de material é considerada difícil e cara. Apesar de terem revolucionado o modo de armazenar alimentos, hoje elas representam um grave problema ambiental.

Foi pensando em reutilizá-las que três alunos do Rio Grande do Sul criaram a TelhaPak, uma telha elaborada com essas embalagens. Por meio de um processo simples, em que as caixas são expostas a uma temperatura de 200ºC e, em seguida, prensadas, as novas telhas são comprovadamente mais leves, além de diminuírem em 8ºC a temperatura do ambiente e absorverem 3% da umidade (o índice das outras é de 8%).

Resistente, a TelhaPak ainda suporta o impacto de um objeto de até 2kg, caindo de uma altura de 1,9 metros. Segundo Tiago Flores Feijó, um dos criadores do projeto, “a ideia é as telhas sejam vendidas para a população de baixa renda, por serem mais baratas”. Os responsáveis pela invenção afirmam que já deram início ao processo de patente e que aguardam o interesse de alguma empresa para comercializá-las.

HandWashing

Você sabia que uma pessoa gasta, em média, 866 ml para lavar as mãos, o que equivale a pouco mais de três copos de requeijão?

O sistema desenvolvido por três estudantes de Novo Hamburgo, e apelidado de Hand Washing, se assemelha aos lava-jatos usados na higienização de calçadas e carros. Acreditando que o processo de limpeza das mãos poderia economizar mais água, Eduardo Cosetin, 19, Lucas Maciel, 18, e Dionei Daltrazo, 17, criaram uma espécie de torneira que gasta apenas 180 ml de água, em uma lavagem que dura apenas 8 segundos.

Big Bike Solar

A invenção das bicicletas elétricas tem mudado radicalmente a forma de encarar a mobilidade urbana e a poluição do ar nas grandes cidades. O passo seguinte foi dado por dois alunos também de Novo Hamburgo (RS): uma bicicleta que funciona por meio de energia solar. Usando uma placa solar, a energia armazenada alimenta a bateria, fazendo a bike andar.

Segundo Kaíque Timm, um dos inventores da chamada Big Bike Solar, “o único problema é que no Brasil ainda não há incentivos para baratear o custo das placas. Aqui elas custam cerca de R$ 2 mil e na China, por exemplo, saem por volta de R$ 140, uma diferença gigantesca. A vantagem é que elas duram décadas e possuem garantia de, pelo menos, 25 anos”.