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Cresce anseio por mais investimento em transporte coletivo em São Paulo, segundo Ibope

Paulistano gasta 2h23 por dia apenas para se deslocar, independentemente do meio de tranporte utilizado.

Pesquisa sobre Mobilidade Urbana realizada pelo Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) e divulgada pela Rede Nossa São Paulo, nesta segunda (17), na Câmara Municipal de São Paulo, revela que 80% dos paulistanos consideram o trânsito de São Paulo péssimo ou ruim. O evento integra as atividades da Semana da Mobilidade, que vai de 16 a 22 de setembro, em São Paulo.

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As entrevistas foram feitas com 805 moradores da capital paulista com 16 anos de idade ou mais e a margem de erro estimada é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

De acordo com a amostra, o paulistano demora cerca 2h23 para se deslocar diariamente e os que moram na zona Sul são os mais atingidos pelo tráfego lento (gastam 2h40 por dia). Não à toa, o trânsito está entre as quatro áreas consideradas mais problemáticas da cidade, ficando atrás apenas da saúde (1º ), segurança pública (2º) e educação (3º).

Os problemas são sentidos mais agudamente pelas 2 milhões de pessoas que utilizam o carro todos os dias – ou praticamente-, sendo que  65% delas deixariam de usá-lo se houvesse uma boa alternativa de transporte. Medidas mais polêmicas para tentar resolver a questão, como aumentar o rodízio de carros para dois dias e implantar o pedágio urbano, são desaprovados.

Para melhorar a circulação da cidade de fato, 78% dos paulistanos acredita que deveria ser priorizado o investimento em transporte público coletivo, como ampliação e modernização das linhas de metrô, trem e ônibus. Esse percentual cresceu 9% se comparado à pesquisa feita em 2008. O dado vai de encontro ao relatório apresentado pelo secretário executivo da Rede Nossa São Paulo, Maurício Broinizi, que analisa o Programa de Metas da Cidade de São Paulo assumido pela atual gestão.

Metas não foram cumpridas

Segundo ele, das 15 metas relacionadas ao transporte previstas para serem cumpridas até 2012, apenas duas foram alcançadas pelo prefeito Gilberto Kassab: a que visa um total de 4 mil ônibus adaptados para transporte de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e a que determina a implantação de 100 km de ciclovias e ciclofaixas.

Questões como implantação de corredores de ônibus, construção de mais terminais urbanos, revitalização de abrigos de pontos de ônibus, repasse de investimento para o metrô e reformas de calçadas não foram realizadas. Broinizi denuncia que a gestão atual não teve disposição nem para fazer o Plano Municipal de Mobilidade Urbana, que foi encaminhado em 2010 e contou com participação da sociedade civil nos debates.

“Foram realizados seis seminários que culmiram em um documento com mais de 300 páginas, além de ter sido aprovado na Câmara dos Vereadores o orçamento de R$ 15 milhões para isso. Mas esse dinheiro não foi gasto e o secretário municipal de transportes [Marcelo Branco] nos alegou depois que São Paulo não precisava desse plano”, critica.

Broinizi lembra que a capital paulista não conta também com um Conselho Municipal de Transportes, o que inviabiliza uma maior participação da população nas discussões.

Candidatos a vereadores

O encontro teve ainda com um debate com os candidatos a vereadores indicados por cada partido para falar sobre o tema. Chico Macena (PT) defendeu um planejamento urbano que reduza os deslocamentos diários colocando o emprego dos cidadãos mais próximo de suas moradias. Além disso, criticou a falta de reconhecimento da bicicleta como meio transporte, apenas como opção de lazer, levando em conta a priorização das ciclovias aos finais de semana.

Aurélio Nomura (PSDB) falou sobre a necessidade de construção de um Plano Diretor que integre São Paulo às cidades vizinhas, como as da região do ABC, e propôs dar mais autonomia às subprefeituras, para que elas consigam trabalhar melhor.

Já Ricardo Young (PPS) defendeu um conceito de cidade sustentável e justa, que não priorize a especulação imobiliária e a indústria automobilística, como ocorre atualmente. Para reduzir o trânsito, acredita na redução dos espaços nas ruas para automóveis, acabando com a Zona Azul e transformando-a em ciclovias.

Para Frederico Sosnowski (Psol), deve ser implantado um bilhete único mensal que fosse pago por sua utilização e que possa ser usado também nos bicicletários, além da ampliação do serviço do transporte de ônibus para 24h, com o objetivo de reduzir o uso de carros à noite, horário em que são registrados mais acidentes no trânsito.

Já Marisa do Metrô (PSTU) tem como proposta triplicar as linhas de metrô em quatro anos, construir 190 corredores de ônibus e reduzir as tarifas de ônibus. Não compareceram ao debate os candidatos a vereadores do PRB (partido de Celso Russomano) e do PMDB (partido de Gabriel Chalita).               

Leia a pesquisa sobre Mobilidade Urbana em São Paulo, na íntegra.

Confira o balanço de metas e indicadores relacionado à mobilidade urbana.

Conheça o manifesto Dia Mundial Sem Carro, do coletivo de organizações que promovem as atividades da Semana da Mobilidade em São Paulo.