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Crianças traduzem declaração de direitos humanos por meio do cordel

Trabalho é feito pela rede de educação integral de Pernambuco.

“Todo ser humano/ tem direito à liberdade/ dotado de consciência e justa dignidade”.A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi interpretada como literatura de cordel pelas redes de educação integral de Pernambuco que estão reunidas em Olinda até esta quarta-feira, 24 de outubro, no Hotel 7 Colinas. As redes participam do III Encontro Regional de Acompanhamento e Formação do Programa pela Educação Integral, do Fundo Juntos pela Educação.

As redes de educação integral são constituídas por escolas públicas, organizações sociais, CRAS e outros parceiros locais, reunidos em projetos apoiados pelo Fundo Juntos pela Educação, em Recife, Olinda e Igarassu. O III Encontro Regional está debatendo a relação entre educação e o Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes (SGDCA). Hoje, quarta-feira, 24 de outubro, o SGDCA será tema de conferência do  Dr. Élio Braz Mendes, Juiz da 2ª. Vara da Infância e Juventude do Estado de Pernambuco, e de Karina de Paulo Lira, assessora programática em Proteção e Coordenação técnica da equipe de Assessores Programáticos da Ong Visão Mundial, enfermeira sanitarista e mestranda em Saúde Coletiva na UFPE.

Esta terça-feira, dia 23, foi dedicada ao debate sobre a importância das redes para fortalecer o SGDCA e à discussão sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Após debates em grupo, os 30 artigos da Declaração foram traduzidos na linguagem da literatura de cordel. Cada grupo tratou de seis artigos da Declaração Universal, adotada pelas Nações Unidas a 10 de dezembro de 1948.

“Proclamando o que foi dito/ na presente Declaração/ independente de cor, raça ou sexo/ sem nenhuma distinção/ o ser humano tem direito/ ao seu lugar nesta nação”, afirmou o grupo que estudou os artigos 1 a 5. O grupo que tratou dos artigos 6 a 10 destacou:  “O povo também precisa/ do Estado ou da Nação/ de um orientador que lhe defenda/ com justiça e dedicação/ é o artigo oitavo/ que garante essa ação”.

Nesta terça-feira, também houve o debate sobre o papel das redes no fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos das Crianças e Adolescente (SGDCA). A jornalista Cristine Félix dos Santos, coordenadora do Programa Desenvolvimento Institucional e do Programa Redes e Alianças do Instituto C&A, destacou a importância dos parceiros de uma rede em perceber a complementaridade e interdependência dos processos, dos trabalhos coletivos, vendo que não posso fazer nada sozinho, eu necessito do outro”.

Por sua vez, Jaciara Santos Arruda, coordenadora de projetos da Casa de Passagem, de Recife, observou que o trabalho em rede questiona a cultura hierárquica existente no Brasil, pois representa “uma quebra de paradigmas, pelo reconhecimento de ações sistêmicas, horizontais, onde reina a autoridade, sem autoritarismo, e também com flexibilidade, tolerância  e solidariedade”.

O Fundo Juntos pela Educação foi constituído em 2004, pelo Instituto Arcor Brasil, Instituto C&A e Vitae. A sua missão é prover recursos e estabelecer alianças para a educação de crianças, adolescentes e jovens. O conceito de educação integral praticado pelo Fundo Juntos pela Educação abrange o desenvolvimento do ser humano em todas as suas dimensões, o que apenas é possível com uma perspectiva intersetorial, com vários parceiros atuando em rede.

Com esta perspectiva, o Fundo Juntos pela Educação criou o Programa pela Educação Integral, voltado para apoiar projetos que envolvem a montagem de redes locais, articulando escolas públicas e outros parceiros locais e direcionadas para promover a educação integral de crianças e adolescentes.

Três projetos estão sendo apoiados pelo Fundo Juntos pela Educação na Região Metropolitana de Recife, como parte do segundo ciclo do Programa pela Educação Integral, que se estende entre os anos 2011 e 2013. Representantes das escolas, organizações comunitárias e outros parceiros dos projetos reúnem-se regularmente em encontros regionais, para discutir temas de relevância para a educação integral e troca de experiências.

O III Encontro Regional de Acompanhamento e Formação do Programa pela Educação Integral, que está sendo realizado em Olinda até hoje, 24 de outubro, tem entre seus objetivos refletir e fortalecer a relação dos projetos com o Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA). O encontro também busca potencializar a perspectiva da intersetorialidade na promoção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes e contribuir para o fortalecimento da proposta de atuação em rede.