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Favela do Moinho realiza campanha para construção de parque público

O “Vermelhão” era o espaço dentro do Moinho utilizado por crianças para brincar, mas virou depósito de cinzas, lixo e entulho após os seguidos incêndios que atingiram a última favela do centro de São Paulo, localizada entre os trilhos de trem e velhos prédios industriais. Agora, um movimento de dentro da comunidade pretende resgatar o antigo espaço.

A criação do parque, organizada pelo Movimento Moinho Vivo e pelo projeto Comboio, se inscreve na série de mobilizações de resistência do espaço, alvo de especulação imobiliária e descaso do poder público. Ele ficará ao lado da Casa Pública, um espaço de articulação comunitária surgida em conjunto com uma intervenção artística. Construída colaborativamente em parceria com moradores e catadores, a Casa foi levantada usando recursos locais e material encontrado na cidade e teve um custo de R$ 600, arrecadados de forma independente.

Para a construção, que faz parte de um projeto de reivindicação de direitos e fortalecimento comunitário, está sendo chamado um mutirão de construção de “pessoas para as pessoas”, sem intermediários e ferramentas de financiamento colaborativo pela internet.

“É uma ação de micro-urbanismo, feito de baixo para cima. Ele funciona na medida em que o lugar em que as pessoas vivem é transformado, o fazer junto cria pertencimento com espaço e com os moradores que fazem a ação”, analisa Caio Castor, do Movimento Moinho Vivo. “É como a demolição que fizemos do “muro da vergonha” [construído pela prefeitura após incêndio em 2011].  Nossa forma de fazer pressão é fazendo”, afirma Castor.

No dia 14 de dezembro, a partir das 10h, começarão as atividades com plantio de mudas e almoço coletivo, para o qual cada pessoa deve trazer um alimento. O movimento pede a doação dos seguintes itens:  planta, terra, vasos, cimento, areia, pedrisco, tijolo, vergalhões de ferro, madeira, pregos, tela de galinheiro, luvas, tinta, pneus, cordas, carrinho de mão, enxada, pá, cavadeira, colher de pedreiro, maquita (serra de corte elétrica), serra tico-tico, lixadeira.

Todas as doações serão contabilizadas e as notas fiscais disponibilizadas pela internet. Após o mutirão, haverá a mobilização de agentes da prefeitura para prosseguir na revitalização do espaço, além de arrecadação de dinheiro pela venda de camisetas feitas pela Cooperativa Moinho Vivo, que também será lançada no dia 14/4.

Saiba mais pelo página de Facebook do evento.