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Crianças do MST ocupam MEC em defesa de educação rural

Com informações de MST e Mídia Ninja

Uma repórter perguntou para a criança responsável por falar com a imprensa, das mais de 750 Sem Terrinhas e docentes de áreas rurais que realizam, na manhã desta quarta-feira (12/2) uma ocupação em frente ao Ministério da Educação (MEC), em Brasília, se ela não deveria estar na escola. “Lutando a gente também aprende”, respondeu. O protesto é contra o fechamento de 37 mil escolas no campo nos últimos 12 anos, a falta de uma política de erradicação do analfabetismo e pela valorização dos profissionais da educação.

Além disso, o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra (MST) reivindica a abertura de 400 escolas em assentamentos da Reforma Agrária. As crianças se organizarem em comissões de segurança e imprensa, para conduzir o ato e falar com jornalistas. Além disso, escreveram um “Manifesto dos Sem Terrinhas à Sociedade Brasileira”.

Márcia Mara Ramos, do setor de educação do MST, se preocupa com o fechamento, precarização e sucateamento da escolas do campo. “Hoje, existem apenas 76 mil escolas no campo, e muitas delas funcionam sem biblioteca, laboratórios, algumas até sem água encanada”, afirma Márcia.

A marcha das crianças saiu do VI Congresso Nacional do MST e devem ficar na frente do Ministério até o meio dia. Pela tarde, uma marcha do Movimento irá reclamar da estagnação da Reforma Agrária, que em 2013, tem, segundo o movimento, seu pior momento, com apenas 7 mil famílias assentadas. A estimativa do governo é de que foram 30 mil. Confira abaixo o manifesto dos Sem Terrinha, que será entregue ao Ministro da Educação.

MANIFESTO DOS SEM TERRINHA À SOCIEDADE BRASILEIRA

Nós somos Sem Terrinha de acampamentos e assentamentos de todo o Brasil e estamos participando do VI Congresso Nacional do MST e da Ciranda Infantil Paulo Freire. Viemos protestar pelos nossos direitos, por Reforma Agrária e lutar por um Brasil melhor.

Tem gente que tem preconceito com os Sem Terra e com os Sem Terrinha. Nos acampamentos e assentamentos do MST tem animais, pessoas, escolas, árvores e plantações. A plantação é muito importante para nós, não tem como viver sem alimentos.

O agronegócio é apenas uma monocultura, é uma coisa que só planta uma lavoura. Para que as plantas não estraguem é preciso usar muito veneno, que trazem doenças e perda da qualidade da comida. No agronegócio tudo é mercadoria!

Já nos acampamentos e assentamentos plantamos para comer e para vender para o povo da cidade. É uma policultura, há várias plantações e criações de bichos. Lá tem macaxeira, feijão, milho, melancia, galinha, bode, gado e suíno. E não precisa usar veneno, porque com a criação de bichos pode diminuir bastante os besouros e as lagartas que estragam as plantações. As terras são todas roçadas para poder plantar.

Mas queremos um assentamento melhor, que tenha saúde, divertimento e escolas. As atividades feitas nas escolas tem que melhorar, pois não dá pra ser assim. Existem muitas escolas que não estão dentro dos nossos acampamentos e assentamentos e que não tem transporte para nos levar.

O transporte é muito difícil, porque quando precisa ir para a escola da cidade é preciso andar muito para conseguir chegar no ponto de ônibus. Quando chove não tem ônibus e faltamos na aula. Queremos que o transporte não vá para lugares muito longe.

Somos dos acampamentos e assentamentos e queremos que lá no campo tenha escola. Precisamos de uma educação melhor. Queremos que nossos professores sejam do assentamento para que não faltem muito. Como é difícil o transporte entre a cidade e o campo os professores acabam faltando e os alunos perdendo aula.

Queremos também uma alimentação saudável para que nós, os alunos, não passemos mal na escola. Em nossas escolas precisamos de atividades extra-curriculares, fazer da escola um lugar de lazer, aberta para a comunidade nos finais de semana. Precisamos de cursos de informática, piscina de natação, quadra esportiva e muito mais.

Nós, Sem Terrinha, estamos chamando os outros Sem Terra, os amigos do MST e o povo para ajudar a conquistar nossos direitos e cobrar isso do MEC. Como a luta não é fácil, precisamos de mais gente!

Sem Terrinha pelo direito de viver e estudar no campo!

Brasília – DF – 10 a 14 de fevereiro de 2014.