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Campanha busca fundos para construção de escola na Palestina

Colaborou Arturo Hartmann, de al-Fasayil, Palestina

A vila de Khirbet Samra não tem escolas. Para que possam estudar, as crianças têm de caminhar até Tayasir, distante 12 quilômetros, onde fica a instituição de ensino mais próxima. Durante a caminhada, elas atravessam o posto de controle de Tayasir, conhecido por suas checagens rigorosas e constrangedoras. Não à toa, muitas vezes as famílias evitam mandar os filhos para a escola, especialmente as meninas.

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“Eles preferem que a criança fique próxima, algumas vezes as garotas sofrem ataques e constrangimentos feitos pelo exército israelense ou então pelos colonos”, afirma o palestino Rashed Khudeiri, morador do vale e membro do Movimento de Solidariedade ao Vale do Jordão.

O relatório da ONU “Crise oculta: conflitos armados e educação”, divulgado em 2011, revela que 42% das crianças que estão fora da escola no mundo vivem em países afetados por conflitos armados. Isso equivale a 28 milhões de estudantes afastados da educação por causa da violência.

A vila de Samra, onde vivem 15 famílias, está localizada entre duas zonas de treinamento do exército e três assentamentos: Ro’i, Beqa’ot e Hamadat. Entre as dificuldades enfrentadas por essas comunidades, o acesso à educação emerge como um dos principais obstáculos para a permanência dos palestinos no Vale do Jordão, território ocupado por Israel desde 1967.
Campanha

Para resolver a questão, um grupo de estudantes universitários brasileiros, por meio da Jordan Valley Solidarity, uma organização de direitos humanos que trabalha com os palestinos na região, tenta arrecadar fundos para terminar a construção de uma escola em Kirbhet Samara. Iniciada em 2013, a obra ainda precisa de R$4.800 para ser finalizada. Se atingido,  o valor será aplicado na compra de concreto, portas, maçanetas, janelas, mesas e cadeiras para os alunos.

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“Se a escola for aberta e o processo para conseguir os professores for bem-sucedido, ela servirá crianças não apenas de Samra, mas de outras duas vilas na área, al-Hadidyia e Makhloul, atendendo no total 50 estudantes”, explica Khudeiri.

O esforço parece pequeno, mas segundo as organizações que atuam na região, garantir o acesso à educação é garantir que os palestinos se mantenham no território, evitando sua anexação por Israel.

Uma luta de camponeses

Segundo dados do Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários nos Territórios Ocupados (OCHA), lançados no início de março, há cerca de 18 mil palestinos vivendo exclusivamente em Área C do vale do Jordão – que corresponde aos territórios controlados civil e militarmente pelo exército de Israel. O número de colonos que habitam os 39 assentamentos chega a 10 mil.

Apesar de serem maioria, o relatório “Acting the Landlord, Israel’s Policy in Area C, West Bank”, de junho de 2013, elaborado pela ONG israelense Btselem, revela que 85,2% das terras do vale estão proibidas para o uso dos palestinos, gerando um problema considerável para uma população basicamente de camponeses.

Antes da ocupação dos territórios palestinos em 1967, a população girava em torno de 200 e 320 mil palestinos. Hoje, apenas 56 mil vivem por lá, considerando a população de Jericó, onde estão 70% desses habitantes. fonte: Ma’an Development

Outro dado preocupante é sobre o uso da água. O relatório da Btselem afirma que, do total de água retirados do Vale do Jordão, Israel aloca 80% para uso próprio e nos assentamentos. Em relação às desapropriações, de janeiro de 2006 a abril de 2013, o documento informa que 308 estruturas residenciais foram demolidas nas comunidades palestinas. Isso equivale a 1.421 palestinos desalojados, dos quais 604 eram crianças.