Atividades circenses são usadas como ferramentas pedagógicas

Malabares, perna-de-pau, bolinhas, claves, acrobacias e palhaços cada vez mais fazem parte do cotidiano das crianças em escolas brasileiras. Por meio das técnicas milenares, circos e companhias circenses divertem e ensinam estudantes.

“A eficácia é muito grande, pois o circo é o lugar do impossível. Muito lúdico, encanta a todos. A linguagem é simples, divertida e de uma beleza tamanha. As crianças prestam atenção, ficam muito atentas e adoram”, explica o palhaço e sócio da Cia Monocirco, Wilson Vasconcellos.

A Cia Monocirco atua desde 2002 e realiza oficinas, mais conhecidas como vivências, para o Ensino Fundamental. Além disso, o grupo promove cursos para educadores e professores. “Nas vivências disponibilizamos todo o material necessário para as crianças praticarem atividades circenses. Levamos para a escola perna-de-pau, diabolôs, bolinhas e claves. No mesmo dia elas praticam todas as modalidades, inclusive acrobacias”, diz Vasconcellos.

Já a ação para educadores tem outro objetivo. “A função do curso é mostrar para os professores quais assuntos relacionados ao circo podem ser abordados com as crianças dentro da sala de aula. O palhaço, por exemplo, passa a segurança, a ludicidade. O malabares a união, o trabalho em grupo. As claves, pela dificuldade, sensibilizam o olhar do jovem para o tema”, exemplifica.  

Outro grupo que também realiza oficinas nas escolas é o Projeto Circo na Escola. Formado por estudantes e professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a ação é uma atividade de extensão da universidade e procura trabalhar com a temática do circo por meio da valorização e resgate dessa arte.

“O circo faz parte do nosso patrimônio cultural. É nessa faixa etária que podemos iniciar uma formação reconhecedora desse tipo de arte. Mostrar para as crianças com que linguagem o circo trabalha é muito importante”, diz o coordenador do projeto, Marco Bortoleto.

O Projeto Circo na Escola atende gratuitamente em média dez escolas por ano na região de Campinas, no interior de São Paulo – a maior parte escolas públicas e de Educação Infantil.  

As oficinas também são dividas em atividades para crianças e educadores. Segundo Bortoleto, uma vez por semestre o Projeto vai às escolas. “No primeiro semestre é realizado um show, com a leitura de algum texto e um espetáculo para as crianças. Nessa etapa procuramos apontar o caminho para os professores trabalharem com a temática do circo ao longo do ano”, comenta Bortoleto.

No segundo semestre já acontecem as oficinas e vivências com as crianças. “Mais familiarizadas com o tema, exploramos técnicas de construção de máscaras, maquiagem, perna-de-pau, malabares e acrobacias”, completa.