Educadores explicam a desmotivação de professores

Recente pesquisa realizada pelo Instituto Ibope e o Movimento Todos pela Educação revelou que o maior problema da Educação no Brasil é a existência de professores desmotivados e mal pagos. Para o presidente executivo do movimento Todos Pela Educação, Mozart Neves Ramos, três fatores explicam a falta de motivação dos professores. "A questão salarial, as condições de trabalho e de formação. Essas são as principais causas. A baixa auto-estima também contribui para esse quadro. As universidades, instituições formadoras, deveriam conhecer mais a realidade da educação básica. Infelizmente, os professores formadores não conhecem a escola pública, o que acaba por prejudicar os docentes", afirmou.

Ex-secretária de educação do Rio de Janeiro, Terezinha Saraiva compartilha da mesma opinião. E ela destaca as condições precárias  para o exercício da profissão como algo que precisa ser revisto. "De modo geral, as escolas apresentam péssima infra-estrutura, o que impede uma prática docente de qualidade. A descoberta de que a carreira escolhida não lhe traz satisfação pessoal e realização profissional; o despreparo para lecionar a alunos ‘reais’, algo que não lhe foi apresentado nos cursos de formação; e o pouco apoio e participação das famílias dos alunos também são fatores que contribuem para a desmotivação do profissional".

Para o diretor do Sindicato dos Professores do Município do Rio e Região (Sinpro-Rio), Antonio Rodrigues, os baixos salários e as turmas com excesso de alunos são as principais causas que levam à desmotivação dos docentes. "A escola de hoje discute desde educação sexual à educação para o transito, alem da questão do   uso de drogas. Todas as mazelas da sociedade são discutidas na escola. Isto além de um currículo obrigatório que sobrecarrega. E professores têm tarefas múltiplas, de um lado, e trabalham com turmas cheias e com um ganho financeiro que têm não corresponde a este esforço, de outro", salientou Antonio Rodrigues.

Para o sindicalista, na rede privada, o problema é tão grave quanto nas escolas públicas. "É falso o discuso de que docente tem melhores condições de trabalho nas escolas particulares. Se há um quadro mais favorável nas grandes escolas, de outro, também existe uma sobrecarga imensa do ponto de vista das tarefas que são atribuídas aos docentes, por conta do uso da internet e de outras tecnologias. Hoje há exigência maior e não basta saber só a disciplina que ensina", salientou o sindicalista. 

(Educacional)