Preços são mais importantes que ecologia

Ser verde é um dos maiores desejos das empresas de tecnologia atualmente, mas ainda não está claro qual caminho fará os aparelhos amigos da natureza gerarem lucros.

Os consumidores desejam eletrônicos que sejam gentis com o ambiente, mas eles não mostram uma forte disposição para comprá-los -exceto quando isso significa gastar menos.

"Há um alto nível de consciência e um nível baixo de atividade", diz o analista do Forrester Research Christopher Mines. "A meta das empresas é alimentar essa idéia e tentar tirar vantagem das preocupações do público", diz Mines.

Entre as companhias que tiram bom proveito dessa situação estão nomes como Intel, HP e AMD -que já produzem componentes que exigem menos energia e, por isso, custam menos para funcionar.

A empolgação dos marqueteiros em torno das iniciativas até criou uma nova palavra, o "greenwashing" (banho verde, em uma tradução livre), que nos leva de volta aos dias da era das pontocom. Assim como naquela época, há uma oportunidade para as empresas de tecnologia venderem mais e usar um assunto como uma ferramenta de propaganda.

Até agora, as máquinas mais bem-sucedidas foram aquelas que claramente deram retorno financeiro, como os servidores que consomem menos energia.

A IBM lançou o projeto Big Green em maio deste ano, prometendo investir US$ 1 bilhão por ano em tecnologias para redução de consumo de energia. Desde então, a empresa está sendo inundada de pedidos.

A maioria das consultas de clientes tem relação com a economia de energia e com a reciclagem, que fica em segundo lugar por um diferença pequena, explica o vice-presidente de responsabilidade ambiental da HP, Pat Tiernan.

Toda essa atividade acontece no mundo corporativo, mas os consumidores comuns estão começando a se tornar uma força ecológica. Por isso, acionistas das grandes empresas querem estar certos de que as coisas estão andando direito em relação à política ambiental.

"Nossas pesquisas mostram que cerca de 11% dos americanos querem ser verdes", diz o diretor do Envisoneering Group, Richard Doherty. "Eles disseram que mais de uma das compras que fizeram foram influenciadas pela atitude ambiental das empresas", explica.

Outras empresas de tecnologia lançaram iniciativas verdes. A Dell plantará árvores para quem comprar seus computadores e o Yahoo! promoveu um concurso para eleger a cidade mais ecológica dos EUA.

Plantar árvores é legal, mas isso é razão para comprar um computador? "Se o preço do micro for mais ou menos o mesmo, ser verde ajuda", diz o professor do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, na sigla em inglês) Howard Anderson. "Mas, se Nokia e Motorola são verdes, por que não inventam celulares que precisem de menos recargas?", pergunta.

(Folha de S.Paulo)